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Fusão Rio Tinto e Glencore: um gigante do cobre em discussão

Dois homens de fatos apertam mãos numa mesa de vidro com documentos e minerais, perto de janela ampla.

Um projeto de fusão entre a Rio Tinto e a Glencore está a ser discutido. Se avançar, poderá dar origem ao maior grupo mineiro do mundo, no centro da actual corrida ao cobre - um sinal claro das novas prioridades do sector.

A Rio Tinto e a Glencore voltaram a abrir conversações tendo em vista um possível alinhamento estratégico. As duas empresas, entre as mais influentes da indústria, estão a analisar de forma concreta a compra da Glencore pela Rio, eventualmente através de uma operação integralmente paga em acções. Se for mesmo concluída, a transacção criaria um colosso avaliado em mais de 200 mil milhões de dólares, à frente da BHP, até aqui líder mundial.

Perfis complementares: Rio Tinto e Glencore

Esta hipótese ganha força porque os perfis das duas empresas se encaixam. A Rio Tinto tem uma exposição histórica muito forte ao minério de ferro, base central dos seus lucros, embora detenha também activos relevantes em cobre e esteja agora a apostar no lítio. Já a Glencore apresenta uma diversificação mais ampla: produz cobre, cobalto, níquel e zinco e é ainda a maior exportadora mundial de carvão. Além disso, possui uma enorme actividade de trading de matérias-primas.

Ao juntar estes portefólios, o novo grupo passaria a ser o maior produtor mundial de cobre e um dos principais fornecedores de metais críticos para a transição energética.

O boom do cobre

As negociações surgem num momento em que o cobre voltou a ser um recurso altamente estratégico. Nos últimos 12 meses, o preço subiu mais de 40%, ultrapassando em Janeiro a fasquia simbólica dos 13 000 dólares por tonelada.

A explicação está à vista: electrificação das redes, energias renováveis, veículos eléctricos, baterias, centros de dados, inteligência artificial, entre outros. Estas infra-estruturas exigem grandes quantidades de cobre, enquanto a oferta cresce a um ritmo muito mais lento. Novas minas são escassas, demoram anos a entrar em operação e tornam-se cada vez mais caras de explorar.

De acordo com a S&P Global, a procura mundial pode aumentar 50% até 2040, criando um défice potencial de vários milhões de toneladas por ano. Neste cenário, uma fusão entre a Rio e a Glencore procura garantir volumes de cobre a longo prazo.

Para a Rio Tinto, a operação também teria o objectivo de diminuir a dependência do minério de ferro, um mercado pressionado pelo abrandamento da construção na China. A empresa já aponta para um aumento da produção de cobre para 1 milhão de toneladas por ano até 2030. A Glencore, por seu lado, sob pressão após um ano difícil em bolsa, poderia beneficiar de uma saída estratégica e, sobretudo, de uma valorização dos seus melhores activos.

Persistem obstáculos

Ainda assim, nada está decidido, até porque as autoridades da concorrência terão, naturalmente, uma palavra determinante. Um grupo com controlo de mais de 7% da produção mundial de cobre será escrutinado com particular atenção pelos reguladores. A Rio tem agora até 5 de Fevereiro para apresentar uma proposta vinculativa ou desistir durante seis meses.

Apesar disso, há um ponto incontornável: por trás deste possível “casamento”, é toda a indústria mineira que está a acelerar a sua transformação. E é provável que este movimento esteja apenas a começar.

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